Adestramento – História do adestramento do clicker



Adestramento – História do clicker

Keller e Marian Breland foram alunos de Skinner e expandiram suas técnicas para adestrar vários outros tipos de animais. Na década de 50, Keller Breland começou a desenvolver um programa de adestramento para mamíferos marinhos. Por razões óbvias é difícil recompensar um mamífero marinho rapidamente, pois ele fica na água, enquanto o adestrador costuma estar a alguma distância, no solo.

Breland resolveu este problema com o desenvolvimento de um marcador, ou sinal, que mostraria ao animal que ele desempenhou algo corretamente e receberia uma recompensa em seguida. Breland usou o condicionamento clássico para associar um sinal a uma recompensa, fazendo com que o animal soubesse que, ao ouvir o sinal, receberia uma recompensa. Então ele usou o condicionamento operante para moldar o comportamento utilizando recompensas positivas.

O marcador ajuda a reforçar o comportamento correto porque é imediato. Mas ele não é a recompensa, ele é um sinal de que o comportamento foi correto e uma promessa de que uma recompensa está a caminho. Como os mamíferos marinhos são normalmente orientados a se comunicar pelos sons, fazia sentido utilizar um apito como marcador.

Na década de 60, Karen Pryor utilizou as mesmas técnicas de reforço positivo para treinar. Ela percebeu as vastas aplicações deste tipo de modificação comportamental e em 1984 escreveu o livro “Don´t Shoot the Dog”, que apesar do nome, não fala sobre adestramento de cães, mas sobre o uso do reforço positivo para moldar o comportamento.

Pryor usava um clicker como marcador para começar a moldar o comportamento dos cães, assim como de vários outros animais e é o nome mais associado ao adestramento com clicker moderno.

Os adestradores de golfinhos costumam usar apitos, já os peixes podem ser adestrados ligando e desligando uma lanterna, assim como coleiras vibratórias podem marcar o comportamento de cachorros surdos. O marcador pode ser qualquer coisa, desde que seja curto, específico e consistente. Deve-se, no entanto, ter cuidado ao usar a voz como marcador principal, já que o tom nem sempre é consistente e as palavras ou qualquer som que façamos também podem ser usados em conversas comuns e acabar perdendo importância.

Para aprender a usar o clicker para adestrar seu cachorro leia a matéria “Como adestrar com clicker”.
Agora veja como é feito com os golfinhos.

Adestramento de golfinhos

Uma das grandes atrações num parque marinho são os saltos e as piruetas sintonizados na perfeição.
Porém, muito antes dos treinadores darem o comando para estes saltos e piruetas, eles têm de começar por um objetivo mais básico – conseguir que o golfinho salte uma vez. A maneira mais simples é a de esperar pelo comportamento (um salto) e
dar um peixe clique aqui (reforço).
Durante vários dias reforçam todos os saltos e ao fim de uma semana, o golfinho terá aumentado a frequência de saltos. De fato, o mais provável é ele começar a saltar sempre que vê o treinador aproximar-se com um balde de peixes.
Depois de aumentada a frequência dos saltos, o próximo objetivo é conseguir saltos mais altos e por aí afora até se conseguir uma rotina completa de saltos e piruetas.
Esse processo denomina-se “moldar o comportamento”

Quando o golfinho salta, o treinador apita o momento em que o golfinho atinge a parte mais alta do salto. Ao fim de uma série de repetições, o golfinho terá aprendido que se não ouve o apito não recebe a recompensa.
Através de tentativas, aprenderá que um salto baixo nunca causa um apito, mas um salto alto sim. O apito transmite que o que fez é a ação pretendida pelo treinador, enquanto que a ausência do apito transmite que não praticou o comportamento esperado.

Não deixe de ler também:

- Como os cães aprendem
- Reforço e Punição
- História do clicker
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